domingo, 29 de maio de 2011

Vídeos,


The Vaccines - All in White

James Blake - Lindisfarne


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pulp: O primeiro show do Comeback

Rolou em Toulouse, na França, na última quarta (25), o primeiro show do Pulp depois da reunião. Já agendados para tocar em diversos festivais europeus, a preocupação de Jarvis Cocker de "não assassinar as próprias canções" pareceu infundada. O vídeo abaixo mostra a rendição da clássica Do You Remember The First Time?, e nem parece que os caras estavam parados há tanto tempo. Será que Jarvis e cia. não fariam uma viagem á terras distantes no segundo semestre? Aguardemos...


domingo, 22 de maio de 2011

Nuda - Amarénenhuma


Já havíamos ficado boquiabertos com o teaser que o quarteto de Recife havia liberado meses atrás. O que levou a uma ansiedade e transformou Amarénehuma em um dos discos nacionais mais aguardados do ano. E finalmente saiu. Devo dizer que não há espaço pra decepções aqui.

A Maré Nenhuma reforça a condição de mais bela canção do ano até agora, toda embebida em lirismo e condução instrumental tão delicada quanto os vocais. A aparente tranquilidade espiritual da música é apenas a ponta do universo rico da Nuda. Samba de Paleta já apresenta algumas reações ásperas, e a diversidade rítmica do grupo vai se mostrando a cada timbre. O ouvinte vai notar que é levado quase que sem solavancos por gêneros diversos, embalados pelo approach rock.A Pedra é Captain Beefheart nascido em terras pernambucanas, e o interlúdio é tão atraente quanto as demais músicas. Fazendo ponte logo para Maruimstad: outra pérola de fúria sob controle e elasticidade. A noção de espaço desses caras é absurda. Ode aos ratos, versão da composição de Chico Buarque e Edu Lobo ganha a carinha Nuda (sim, eles já possuem esse tipo de personalidade) de abrasividade. Em nome do homem é um tango rock freak que traz alusões ao cenário urbano do Recife e uma constatação do ser humano sendo destituído de alma. Pisa traz uma precisão quase matemática mas na real soa apenas bem brasileira, ponte pra Acorde Universal que traduz a máquina precisa e de nuances de beleza da Nuda. Ainda temos o samba chorado de Eu e/ou você Doutor e o encerramento com a reflexiva Prece da ponta da faca, quase uma concorrente em nível emocional/melódico da música de abertura do disco.

Praticamente irrepreensível, das composições aos trabalhos técnicos (produção, mixagem, masterização), que ajudaram muito á compreensão do arsenal de idéias e truques da banda, Amarénenhuma é sério candidato ao posto de disco do ano. Por enquanto, é possível dizer que, mesmo que talvez sem querer, a Nuda tenha estabelecido um padrão para a produção independente nacional: não é de fórmulas, receitas ou virais que grupos precisam para abrirem caminho: basta ter talento e trabalhar direito. É o caminho mais árduo, mas a inspiração está aqui gravada.Basta seguí-la. 9/10

Baixe o disco no site oficial dos caras.

Nuda - Em nome do homem by eduardoyukio

sábado, 21 de maio de 2011

Mona - Mona


Residentes de Nashville, o quarteto Mona se posiciona como uma aposta muito bem vinda ao cenário. Em primeiro lugar, não há resquício daquele sentimento de abraçaremos-todas-as- vertentes-porque somos superinformados. Excesso de informação musical ás vezes atrapalha. E em tempos de indie global, a quantidade de bandas ruins munidas de sequenciadores é assustadoramente alta. Mona, o disco, é potencialmente um dos melhores discos de rock do ano. Eu disse rock, não indie-rock.

Basicamente, os caras acreditam naquela coisa toda de banda como unidade, catarse, suor, melodia e sentimento. Anos 50. Como no início da história de música jovem branca de raiz negra. Com um pé no hard rock setentista, Springsteen e no punk, soam um pouco como o Social Distortion circa 92. Só que mais jovens. Ou um Rocket From The Crypt menos fanfarrão ou mesmo o ótimo Lit. Mas como de boa intenção não se faz um bom disco, o quarteto tratou de moldar canções que se distinguem muito bem umas das outras (raro hoje em dia) e entregá-las de acordo. Um vocalista "heróico" e boas tramas de guitarra sustentam de forma coerente o teor das letras.

Gente perdida, garotas impossíveis e noites insones permeiam o universo rock "de verdade" do Mona. E como isso é bom, não ouvir ladainhas alegres e festivas com tamborezinhos e guitarrinhas de brinquedo. Cloak And Dagger tem a confiança e a arrogância do Manic Street Preachers em Generation Terrorists, aquela inocência e fúria conjuntas; Listen To Your Love é certamente um dos melhores pedaços de rock arrepiante que ouvirá nesse ano: o ataque/condução funcionando como um relógio. E a ponte com o verso "How did it get this way?" é um grande momento. Shooting The Moon é a versão sem vergonha (no bom sentido) de um hard rock legítimo. A balada Pavement em mãos erradas soaria apenas ordinária, mas o Mona transforma em hino.

O nome da banda é uma homenagem a avó de um dos integrantes, que se chamava Mona Brown. Mas vai ser interessante o fluxo de visitantes nos mecanismos de busca com essa palavra chave. Mais essa pra curtir a banda de vez. 8/10

segunda-feira, 16 de maio de 2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O brilho de Zá


Fui pego no contrapé da desinformação quando percebi que não conhecia o som de Jade Coelho, ou simplesmente Zá. Na realidade, palavras aqui e ali a recomendavam. E a garota não decepciona. Dona de voz agradável, suas canções passeiam pelo rock (a base de seu som) mas são informadas por apelo pop inegável. Há acenos para o soul e climas jazzy. Mas o mais bacana é que Zá não soa pretensiosa: há uma confiança nas letras bem montadas e no jeito quase sinuoso de cantar. Ela tem hits prontos como É Tão Bom Quando Não Há Chance De a Noite Ser Ruim; cria um clima ensolarado em Esse Som, com seus tecladinhos intermitentes; é misteriosa e intensa na quieta/barulhenta Da Diplomacia; deliciosamente pop em Não há Trabalho Mais Importante Que Nós Dois. Nenhuma referência óbvia percorre as canções, apenas uma demonstração de personalidade e criatividade. Tipo a equivalência musical de uma dose extra e instantânea de serotonina.


La très belle Laura-Mary Carter no Brasil...



...e Steve Ansell também. A dupla de Brighton Blood Red Shoes estará no Cultura Inglesa Festival, e o domingo (29/05) no Parque da Independência promete. Pode ser o melhor pequeno-grande show do ano no Brasil, então fica esperto. É de graça, e depois deles tocam Miles Kane e Gang Of Four:

domingo, 8 de maio de 2011

PJ Harvey - Let England Shake ou Seamus Murphy e a Inglaterra selvagem


Let England Shake, oitavo disco de PJ Harvey, é possivelmente a obra mais impactante do ano até agora. Usando a guerra do Afeganistão e reflexões sobre a Inglaterra como temas primários, a compositora vasculha assuntos que já são costumeiros em suas composições: morte, esperança, dramas internos e confusão mental. A diferença é que, ao optar por basear essas narrativas em relatos de guerra -recentes e antigas - e relacionar a música como forma de expressão do momento histórico, PJ utilizou modulações de voz diferentes, instrumentações não usuais e uma produção bastante calculista. Mesmo assim, o disco soa visceral, e fica difícil distinguir as dores da compositora ou a visão dela como expectadora de um mundo bastante cruel. A inglesa do interior jura não colocar experiências pessoais em suas canções, trabalhando mais como intérprete de relatos e observações.

Evitando a possível pretensão de reunir temas patrióticos com imagens de guerra, PJ optou por manter a crueza das letras, enquanto trabalhava melodias plácidas, fluidas, como contraponto aos versos quase sempre dolorosos. 9/10

* Trabalho com Seamus Murphy

Depois de conhecer o trabalho do fotógrafo Seamus Murphy em uma exposição, PJ o convidou para dirigir os vídeos de todas as doze canções de Let England Shake. Seamus não possuía nenhuma experiência com vídeos ou música. Documentando áreas de conflito, o fotógrafo foi escolhido para realizar um complemento visual ao impressionante registro musical. Os vídeos estão disponíveis na internet, e são retratos bastante intuitivos, envolvendo declamações de versos das canções, imagens da cantora e de sua banda em performance e imagens de uma Inglaterra bucólica, misteriosa e antiquada/moderna. Um acompanhamento que se funde de forma mágica e acaba por complementar o trabalho dos dois artistas de forma surpreendente. Os vídeos estão em http://www.youtube.com/user/letenglandshake. O site de Seamus é http://seamusmurphy.com/ . Abaixo, escolhemos dois belos exemplos:



Art Brut - Brilliant! Tragic!


A melhor banda britânica daquele meio de década passada (pelo menos entre as que respiravam aquele ar universitário-artístico) chega agora ao quarto disco. Que o Eddie Argos é uma lenda apenas por ter lançado a clássica Emily Kane*, todos sabem. O que poucos esperavam é que o Art Brut chegaria mais inteiro em 2011 do que Bloc Party e Franz Ferdinand. Claro que o fato de estarem tocando melhor agora ajuda, e Brilliant! Tragic! também é o disco mais equilibrado da discografia: nenhum clássico incluído, mas as músicas estão mais fortes naquela pegada dinâmica de guitarras bem inseridas. E o Argos continua sendo aquele letrista esperto, um Jarvis Cocker menos refinado mas ainda capaz de segurar a atenção do ouvinte.

Basicamente todas as músicas são sobre dissabores sexuais e encontros frustrados. Mas ao invés de pagar uma de branquelo anglo-saxão sexy, Eddie sabe diferenciar - e rir ironicamente - do padrão indie de pegação. Lost Weekend , o primeiro single, mostra um pouco desse Art Brut mais equilibrado: ao invés da velha construção lírica terminando em um refrão mínimo e pegajoso, a canção inteira flui mais levemente. Esperto, mais difícil de enjoar assim. Também tem uns solos heróicos de guitarra.

E tem essa outra música, chamada exatamente Sexy. É uma lição, na realidade. Destrói tudo que o Alex Kapranos acredita carregar, e ao mesmo tempo paga um tributo mais digno ao Edwyn Collins. Tipo um encontro dos momentos mais soturnos/pervertidos do Pulp com a insistência dos riffs do Orange Juice. Sealand chega a ser bonita daquela maneira inglesa de cenário melancólico, céu cinzento e mar agitado. A produção do Frank Black deixa alguns vestígios, na forma como as guitarras entram sorrateiramente entre as linhas de baixo, mas equilibra a tendência natural do Art Brut para a apelação mais tosca. Arestas aparadas, mas pontas ainda afiadas. 8/10

* Emily Kane é o terceiro single da carreira do Art Brut. Foi lançado em 2005 e está no album Bang Band Rock & Roll. Na opinião do blog, é um dos melhores singles desde sempre. Eddie canta sobre a garota do título, a Emily, sua namoradinha de colégio, e como ele não consegue esquecê-la. Então ele escreve essa música, detalhando coisas como "todas as garotas se parecem com voce...quando eu bebo" e que espera que a "canção lhe dê fama: eu quero a garotada cantando seu nome nos ônibus escolares". Soa melhor em inglês, e o timing melódico é perfeito.



Art Brut - Emily Kane por Joukos

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Miles Kane - Colour of the Trap


Interessante notar que gêneros que habitavam as cavernas da apreciação cult agora cresceram de forma descontrolada: as pessoas já acham o Bibio interessante, dão gritinhos pra bandas chillwave, babam pela dark wave/witch house, acham o selo Warp muito legal, a cúmbia, o afrobeat (muitos acreditam ser um "novo som")... Realmente, ser indie hoje em dia dá trabalho, consiste em pulverizar bandas de um dia pro outro, xingar no twitter, cagar regras e AINDA montar aquele set pra festa - enquanto secretamente chora ouvindo Coldplay.

O lance é que o Miles Kane já tocou no Rascals e no Last Shadow Puppets, com seu chapa Alex Turner. O moleque sai agora em carreira solo, carregando uma coisa velha chamada guitarra. Sentimos no ar a desaprovação dos semi-retardados antes mesmo do disco sair. Eu resolvi ouvir, já que esse blog não promove festas, ou finge sortear ingressos para seus leitores. Apenas serve para análises a respeito de discos.

A coisa começa com Come Closer, que parece distanciar claramente o que ouviremos aqui do seu típico indie rock britânico da década passada. Nada a ver com ataquezinhos anêmicos de punk ou pós-punk. É um rock pegador com um refrão gigante, The Who em seu auge mais alguma coisa garageira de verdade. E o Miles toca guitarra como um monstrinho. Rearrange segue com uma produção mais dançante pra um petardo pop, psicodélico ( o riff de Miles é matador demais). My Fantasy é um devaneio folksy e romântico - a construção melódica não é menos que impressionante - claro que voce já ouviu coisas assim antes, mas e daí? A gente chama isso de música atemporal. Como o Salem soará daqui a dez anos? Counting Down The Days é The Jam com uma perna no Kinks fase psicodélica mas soa perfeita pra 2011. Better Left Invisible chama pra briga: o equivalente sonoro de uma noite violenta no pub, baixo na testa e ganchos guitarrísticos. Quicksand é mais um exemplo de criação: apelando para os pá-pá-pás sessentistas mas incluindo pequenos truques e uma onipresente sessão de solos cósmicos. Isso é só a metade do disco. Te deixa pilhadão mais que a discografia inteira do Animal Collective.

A segunda metade também é uma maravilha, abrindo com a animalesca Inhaler - o primeiro single, lançado em 2010. E o "yeah yeah yeah" de Miles é tão brilhante quanto o de Liam Gallagher em 94. Nessa época, Miles tinha 8 anos. Kingcrawler, bastante percussiva e levada pela voz de Miles é instigante. Take The Night From Me é baladona, mas pende mais pro ar heróico/ decadente de um Richard Hawley do que pra trilha de seriado americano. Telepathy insere uns traquejos de surf-thrash para desenhar a canção noir. Happenstance é um dueto com uma modelo francesa(Clemence Poesy), só pra mostrar que o guri, que já andou pegando Agyness Deyn, é fodão. A canção título encerra belamente a estreia: irmão espiritual de Alex Turner, a música soa como algo que Turner compôs para a trilha do filme Submarine: frágil, simples e bonita.

Sabe qual a conclusão? Miles Kane talvez tenha lançado o melhor disco de rock britânico dos últimos dez anos. Eu estou dizendo que, bem, isso aqui é o que o Oasis fazia nos anos 90. Mastigar profundas referências clássicas e cuspí-las em forma de canções universais, sem frescuras. E o Miles é o compositor talentoso que eleva o padrão, de pastiche para excelência. Pra melhorar, ele toca guitarra melhor que o Noel, mas canta com a absurda confiança e arrogância do jovem Liam. Evidentemente o disco será execrado por aqueles que professam seu amor ao onanismo (Pitchfork e associados brasileiros). Isso é um disco de rock neanderthal. E é isso que o faz ser tão essencial, porque neguinho já tinha apostado que o TuNe YarDs ou sei lá o que era a salvação da lavoura. Apenas não chame isso de indie, seria um erro e uma ofensa grave. 9/10

Miles tocará dia 29 de Maio no Parque da Independência (SP) dentro do Cultura Inglesa Festival. De graça. Também estarão lá a dupla barulhenta Blood Red Shoes e os heróis pós-punk do Gang Of Four. Voce, que foi no show do Vampire Weekend, não é público alvo. As emoções podem ser fortes demais pro seu coraçãozinho cínico.

domingo, 1 de maio de 2011

Braids - Native Speaker



Native Speaker é o primeiro disco dos canadenses do Braids, lançado bem no início do ano. Desafiando rótulos mais fáceis, a banda se apresenta como uma alternativa bastante sólida no cenário indie: ondas revivalistas, especialmente baseadas no shoegaze e/ou no rock dos anos 90 de um lado; bandas de som mais dançante que agregam elementos eletrônicos/ percussões e são "alegres" de outro. Um cenário bastante simplificado, admito, mas quase totalmente verdadeiro. Se são tentativas bem sucedidas ou não, depende da capacidade criativa das bandas. Pois então, o Braids não se encaixa: um objetivo claro desses caras: melodias sinuosas que levem á intoxicação; elementos utilizados: variados. Abusando dos efeitos em quase todos os instrumentos, as músicas são resultado de um quase infinito baú de idéias, colocadas em prática com surpreendente habilidade. Alguém pode dizer que é pop onírico, sim, mas certamente não é o usual dream pop como gênero: há mistérios demais, silêncios, construções inusitadas...

O single Lemonade é possivelmente uma das canções mais brilhantes do ano: crescendo de forma inconsciente, crava suas qualidades em seus ouvidos como Spanish Sahara, do Foals, fez no ano passado: uma música fora do padrão mas com uma quase mágica capacidade de cativar lentamente. Pode soar no início como um pós rock sombrio caminhando para o math rock e desaguando em vocais entre o vaporoso/sensual do shoegaze mas também podia ser o Yeasayer menos cabeçudo. Incrível, em uma palavra. Vale citar que a vocalista e guitarrista Raphaelle Standell-Preston é extremamente intuitiva na entrega e fundamental na equação do grupo.

Native Speaker, a música, é como Bjork em seus melhores momentos, mas não só: pode ser um exemplo de desapego da banda á estruturas convencionais, espiritualmente aproximando o Braids de qualquer nome do pop inclassificável, de Pere Ubu á The Knife. Experimentadores e aventureiros. Aqui, há a busca pelas sombras, nuances e beleza. Lammicken é uma dose pesada de um mantra narcótico: "I can't stop it" canta languidamente Raphaelle, e podemos sentir que a eletrônica moderna pode ser efetiva como parte do processo de composição, não apenas como enfeite. Same Mum encontra riffs enviezados e uma ainda mais intuitiva entrega vocal de Raphaelle, como uma tentativa de desafiar o ouvinte para depois recompensá-lo com um gancho melódico matador. Não é, definitivamente, algo que poderia sair da sua usual banda de indie rock.

No mundo da música, alguns acham que fugir de seu habitat natural é incômodo e andar em círculos é mais satisfatório e conveniente. Outros preferem se jogar em aventuras sônicas e pagar pra ver, com resultados variados. Da mesma forma, quem ouve música pode se apegar a um universo particular ou aceitar um convite mais desafiador. O Braids entrega o que não se espera, desafia o ouvinte e, no caminho, proporciona momentos bastante bonitos. 8,5/10